segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Imperatriz Arena - 15/10/2018

Comecei a jogar futebol de botão em 1990. Já contei esta história aqui, mas vale recordar alguns pequenos trechos. Meu irmão tinha uma mesa Estrelão guardada num armário e eu resolvi pegá-la para brincar de futebol com os Comandos em Ação. Minha avó viu e resolveu me presentear com um time de botão, um Vasco do modelo panelinha. Durante 12 anos, as partidas eram disputadas naquele Estrelão, mas nem sempre meu irmão permitia. Mesa de jantar, chão do quarto e até a calçada de casa já viraram campo de jogo para os meus botões.

Em 2002, já com botões maiores e regras mais bem definidas, meu irmão e eu juntamos dinheiro e compramos o Itaquá Dome. O estádio, com capacidade para 80 mil torcedores, era o suficiente para nossas partidas. Mas, no final daquele ano, o campeonato do BNDES me fez mudar o tipo de jogo. Saíram os botões resinados e entraram os argolados, com a regra paulista 12 toques. Naquele momento, o Itaquá Dome era pequeno para o tipo de botão que eu utilizava, tanto que tive que fazer algumas adaptações na regra. Ao invés de 12 toques, 8. Ao invés de 4 dedos de distância de um botão para o outro, 3. Mesmo assim, o Itaquá Dome foi a casa da FIFUBO por 16 anos. Seu gramado já estava todo esburacado e, em alguns pontos, a linha do campo já não existia. Mas lá estava o Itaquá Dome, sediando a primeira Copa do Mundo de Futibou de Butaum da História da FIFUBO. O sonho de ter uma mesa oficial, que permitisse a utilização plena da regra oficial e a possibilidade de jogar em um campo com as dimensões perfeitas para o tipo de botão, sempre existiu. Também pesava o sonho da casa própria, já que o Itaquá Dome era "guarda compartilhada" entre o meu time (Imperatriz F.B.) e o do meu irmão (Achrilix). E este sonho parecia nunca se concretizar...

Eis que chega o dia 01 de outubro de 2018, uma data histórica para a FIFUBO. Naquele dia, eu estava no Tijuca Tênis Clube, para finalizar a compra da minha mesa oficial. Naquele dia, chegava a Niterói o Imperatriz Arena, um moderno estádio de futibou de butaum, com capacidade para 150 mil torcedores, amplo estacionamento, vestiários de última geração, sala de imprensa, aquecimento subterrâneo, banco de reservas ampliado e uma série de melhorias em relação ao Itaquá Dome. E, finalmente, o Imperatriz tem sua casa própria!

O Itaquá Dome não foi esquecido. A FIFUBO marcou uma despedida oficial, que foi realizada no dia 08/10/2018. De um lado, um combinado com os 13 times e, do outro, um combinado com as 8 seleções. Cada time enviou um atleta, enquanto algumas seleções enviaram mais de um, para formarem dois times com 11 jogadores e 2 reservas.

O combinado dos times veio a campo com 1. Daniel Islas (Huracán); 2. Gino Peruzzi (Velez Sarsfield), 6. Tuzzio (Independiente), 4. Mauro Galvão (Vasco - C), 6. Marquinho (CROL); 8. Martin Simeone (Racing), 11. Verón (Estudiantes), 13. Schelloto (Boca Juniors), 10. Zenden (Imperatriz); 9. Claudio Adão (Bangu) e 9. Mike Modano (Dallas Stars). O técnico era Dircys, lendário treinador do Imperatriz, que foi auxiliado por Madeirite, outra lenda, com passagens por FIFA Stars, Viradouro, Racing, Boca Juniors e seleção brasileira, além de presidente da FIFUBO por um período entre 2002 e 2006. No banco de reservas, 10. Romagnoli (San Lorenzo) e 7. Trezeguet (River Plate)

O combinado das seleções foi a campo com 1. Van Der Sar (Holanda); 2. Thuram (França), 6. Kunde (Camarões), 6. John Terry (Inglaterra), 3. Lahm (Alemanha); 6. Davids (Holanda), 7. Beckham (Inglaterra), 10. Zidane (França - C), 10. Messi; 9. Ronaldo (Brasil) e 9. Hyuga (Japão). O treinador, Alex Ferguson (Inglaterra), era auxiliado por Alfio Basile (Argentina). Eles tinham no banco 14. Mascherano (Argentina) e 10. Rivaldo (Brasil)

A partida foi bem desigual. Com mais ritmo de jogo, o combinado das seleções dominou o jogo desde o início e aproveitou o entrosamento dos jogadores para fazer incríveis jogadas coletivas, dando um verdadeiro espetáculo. Com apenas 1 minuto de jogo, uma figura oito montada por Messi. Hyuga e Zidane terminou com um chute cruzado do meia francês para fazer 1x0.

Aos 3 minutos, foi a vez de Beckham lançar a Messi no comando de ataque. O camisa 10 argentino fez o trabalho de pivô, tabelou com Hyuga e, da entrada da área, fez 2x0. Aos 7 minutos, Messi retribuiu a gentileza ao rolar para Hyuga, que saiu da ponta para o meio e chutou no ângulo do goleiro adversário, fazendo 3x0 para o combinado de seleções.

Se resta algum consolo para o combinado dos times foi a honra de ter feito o último gol oficial do Itaquá Dome. Aos 8 minutos do segundo tempo, Romagnoli tocou para Mike Modano na esquerda e o lendário centroavante do Dallas Stars não perdoou. Um final justo para a partida, pois o camisa 9 do Dallas foi o primeiro jogador da FIFUBO a alcançar a marca dos 100 gols.

Jogadores confraternizam no centro do gramado ao final do jogo.
O placar final foi Combinado dos Times 1x3 Combinado das Seleções. Mas o resultado é o que menos importa. Um campo que viu inúmeros jogos inesquecíveis, conquistas memoráveis e cinco jogadores chegarem aos 100 gols (Modano, Zenden, Trezeguet, Palermo e Romagnoli) teve uma tarde inesquecível para encerrar uma história tão bela.

IMPERATRIZ ARENA

O dia 15/10/2018 foi outro destes dias históricos que a FIFUBO vive em outubro deste ano. Foi na tarde desta segunda a inauguração oficial do Imperatriz Arena. O tempo chuvoso não impediu os torcedores de aproveitarem o feriado e lotarem os 150 mil lugares do estádio, para assistirem à partida inaugural.
Vista aérea do estádio

O campo de jogo.

Vista de trás de um gol.

Membros da diretoria do Imperatriz e da FIFUBO, nos camarotes do estádio.

Membros do Imperatriz, na tribuna de honra do estádio.

Desde o início do sonho, ficou decidido que a partida inaugural seria entre os dois clássicos times da FIFUBO, os maiores ganhadores da História da Federação. O dono da casa, Imperatriz (com 14 títulos) e o Vasco (com 13 títulos).

Os 4 membros da presidência do Imperatriz dão o pontapé inicial: Brasil (presidente), Bolinha de Ouro (vice presidente), Quiñonez (diretor conselheiro) e São Paulo (diretor conselheiro)
O Imperatriz teve dificuldades para tirar seus jogadores da aposentadoria e dar um mínimo de condições para eles não fazerem feio no campo de jogo.
O Imperatriz foi a campo com 1. Charlie Brown; 14. Anderson Lima; 2. Leão, 3. Stam, 4. Numan; 6. Cristóvão, 7. Etcheverry (c), 10. Zenden; 18. Dinei, 9. Vander Carioca e 11. Denilson. O técnico Dircys, auxiliado por Buchanans, tendo Frômio como preparador físico e MST como médico, tinha ainda no banco 5. Consuelo, 8. Paulo Isidoro, 12. Benjamin e 19. Rodrigo Souto.
O Vasco aguarda a verba para modificar a sua equipe. Mas, até lá, os jogadores continuam atuando, mais aposentados do que em atividade, mas ainda assim, prontos para jogar.

O Vasco foi a campo com 1. Carlos Germano; 2. Maricá, 3. Tinho, 4. Mauro Galvão (c), 6. Gilberto; 12. Bruno Lazaroni, 7. Leo Lima, 8. Marcelinho, 20. Petkovic; 10. Edmundo, 13. Donizete. O técnico Antonio Lopes, auxiliado por William, Pedro Carlos Bregalda e os irmãos Buchanans Deluxe 8 e 14, tinha no banco 22. Marcio, 18. Thiago Maciel, 5. Nasa, 14. Rogério Pinheiro, 33. Ramon, 19. Beto, 11. Siston, 28. Allan Delon, 15. Dominguez, 17. Alex Alves e 9. Marques.
A arbitragem ficou a cargo de Carlos Eugênio Simon, auxiliado por Nestor Pitana.
E assim, tudo estava pronto para a grande festa de inauguração do Imperatriz Arena. Os jogadores no gramado, a bola no centro do campo e a torcida fazendo o maior barulho, esperançosa de um grande espetáculo!
A saída pertencia ao Imperatriz.

IMPERATRIZ 4x3 VASCO

Apesar de ser a primeira partida e uma adaptação ainda se fazer necessária, foi um jogo de muita emoção e com muitos gols. O primeiro gol precisou de apenas um minuto para sair. O Vasco se lançou ao ataque, com Edmundo tocando a Petkovic, mas Etcheverry apareceu e roubou a bola, tocando para Zenden na meia esquerda. O camisa 10 carregou a bola para o campo de ataque e deu ótimo passe em profundidade para Vander Carioca. O centroavante invadiu a área e chutou rasteiro, no canto esquerdo de Carlos Germano, para fazer o primeiro e histórico gol do Imperatriz Arena: Imperatriz 1x0.

Enquanto o lado verde e branco das arquibancadas vibrava, os vascaínos tentavam se reorganizar. Aos 3 minutos, Leo Lima foi ao ataque e pediu a bola. Petkovic fez o passe em profundidade, mas Charlie Brown saiu do gol e ficou com a bola, abrindo na esquerda para Numan. O lateral holandês tocou a Etcheverry no meio e o camisa 7 boliviano avançou com a bola dominada, sem ser incomodado. Da entrada da área, Etcheverry viu que Carlos Germano se posicionava para defender o lado esquerdo e, por isso, chutou no outro lado e pegou o goleiro no contrapé, fazendo Imperatriz 2x0.

O Vasco buscava o ataque e deixava o seu campo exposto para o Imperatriz contra atacar. Mas a defesa vascaína é boa e estava atenta, impedindo que os adversários ampliassem o marcador. Aos 6 minutos, Etcheverry puxou novo contra ataque, mas Mauro Galvão o desarmou com maestria, tocando a Marcelinho no meio. O camisa 8 avançou com a bola dominada, esperou a chegada da marcação e inverteu para o lado esquerdo, encontrando Leo Lima livre. O camisa 7 trouxe a bola para o pé direito e, do bico da grande área, chutou cruzado para vencer Charlie Brown e fazer Vasco 1x2.

O Imperatriz nem se espantou com o gol e ampliou logo na saída de bola. Aos 7 minutos, Vander Carioca deu a saída para Etcheverry, que inverteu na esquerda para Zenden. O camisa 10 deu novo ótimo passe para Vander Carioca dentro da área, e o camisa 9 chutou por cobertura na saída de Carlos Germano para fazer Imperatriz 3x1.

O resultado já era incrível para um time composto, em sua maioria, por jogadores aposentados. Mas ainda cabia mais. Aos 9 minutos, Charlie Brown saiu do gol novamente e cortou a bola, mandando a Cristóvão na cabeça de área. O camisa 6 inverteu para Anderson Lima na direita, que tocou mais à frente para Dinei. O camisa 18 foi tabelando com Etcheverry, até que o camisa 7 percebeu que os dois estavam se embolando. Etcheverry, então, deu um toquinho à frente e acertou um chute seco, cruzado, que entrou no ângulo oposto de Carlos Germano: Imperatriz 4x1.

No intervalo, Dircys tirou Anderson Lima, Cristóvão, Etcheverry e Denilson, os quatro mais cansados, para colocar Consuelo, Rodrigo Souto, Paulo Isidoro e Benjamin. Leão passaria a ser o capitão.

Antonio Lopes mudou o time inteiro. Saíram Carlos Germano, Maricá, Tinho, Mauro Galvão, Gilberto, Bruno Lazaroni, Leo Lima, Marcelinho, Petkovic, Edmundo e Donizete. Entraram Marcio, Thiago Maciel, Nasa, Rogério Pinheiro, Ramon, Beto, Siston, Allan Delon, Dominguez, Alex Alves e Marques. O capitão seria Rogério Pinheiro.

Com 4x1 no placar e já cansados, os jogadores do Imperatriz botaram o pé no freio e jogaram num ritmo mais cadenciado. Zenden apareceu mais no campo de ataque e desperdiçou duas boas oportunidades. Os reservas do Vasco aproveitaram a mudança no ritmo do Imperatriz e resolveram jogar.

Aos 5 minutos, Stam tocou a Consuelo na esquerda e o lateral venezuelano cochilou. Alex Alves roubou-lhe a bola e tocou a Nasa na ponta. O camisa 5 foi ao fundo e cruzou para a área, onde encontrou Marques livre para testar e fazer Vasco 2x4.

O Vasco não tinha muitas esperanças de empatar, mas ainda rondava a área do Imperatriz, em busca de mais um gol. E ele veio aos 8 minutos. Thiago Maciel repôs lateral para Alex Alves ao lado da grande área. O camisa 17 driblou dois marcadores e acertou um lindo chute cruzado para fazer Vasco 3x4. Mas era tarde.

Em um jogo de tanta emoção, o placar nem importa tanto. Dois times clássicos, sete gols e muita emoção para inaugurar a casa da FIFUBO. O Imperatriz Arena está oficialmente inaugurado e pronto para receber mais jogos e competições. No próximo final de semana, as seleções vão a campo para o Troféu do Presidente!

sábado, 13 de outubro de 2018

Arte e Botões - Inglaterra 2006 - 13/10/2018

A FIFUBO está preparando um grande jogo, mas o calendário está adiando, dia após dia, a partida surpresa. Talvez neste domingo, talvez durante a próxima semana. Enquanto o jogo não vem, vamos mostrar mais uma arte. Desta vez, vamos falar da Inglaterra de 2006!

Quem lê este blog frequentemente sabe da minha admiração pela English Premier League. O campeonato inglês tem um toque de tradição, misturado a uma organização impecável e bons jogadores, resultando num campeonato sensacional de se ver. Até a metade da primeira década do novo milênio, o campeonato virou a liga número 1 do mundo e fez seus times entrarem de vez no mapa do futebol. Naquela época, ainda não havia a invasão estrangeira que vemos hoje e isso permitiu aos ingleses montarem uma geração fantástica, uma das melhores de sua História. Infelizmente, sempre tem um fator (normalmente extracampo) que impede os ingleses de levarem um troféu e com esta geração não foi diferente. A contratação de um treinador estrangeiro (Sven Goran Ericksson) e suas escolhas pra lá de equivocadas acabaram com a grande chance inglesa de levar a Copa do Mundo. Com a dupla de ataque, formada por Owen e Rooney, lesionada, o sueco surpreendeu o mundo ao convocar Theo Walcott, que jamais tinha jogado sequer uma partida de primeira ou segunda divisão, deixando atletas como o artilheiro Defoe de fora do torneio.

Para mim, o fracasso daquele time foi uma decepção. Mas a ideia de que eles podiam formar vários timaços permaneceu e, quando resolvi mergulhar de cabeça no Projeto Copa do Mundo, a Inglaterra era obrigatória. E foi daí que surgiu o time, com o qual ganhei meu primeiro jogo na FMN, uma incrível goleada de 6x2 contra a seleção brasileira do Elias, com direito a hat trick de Owen. Mas as regras da FIFUBO, que só permitem dois reservas por equipe, tornou-se uma dor de cabeça para que eu montasse o English Team. Como deixar Lennon de fora? Mas como ele ia jogar, se o titular é David Beckham? Com dor no coração, escolhi os 12 jogadores de linha. Mas, como as dores não paravam, resolvi aproveitar a mesma arte e fazer uma segunda seleção. Vou apresentar as duas e falar um pouquinho delas.

A Inglaterra que eu fiz e jogo é a equipe titular da Copa de 2006, com uma única mudança na lateral direita. Na equipe original, o veterano Gary Neville era o titular da camisa 2. Mas eu achava um crime a Inglaterra ter dois laterais esquerdos tão bons e só poder usar um. Apesar de gostar muito de Wayne Bridge, ele não pode barrar Ashley Cole de maneira alguma, pois o camisa 3 é um dos melhores da posição que eu já vi jogar. A solução foi colocar Bridge na lateral direita e fazer uma coisa ímpar no futebol: colocar um canhoto para jogar pelo lado direito. O pior é que Bridge vem dando conta do recado, cortando para dentro para bater de esquerda e, com isso, é um dos destaques da equipe.

Com eles, a linha de defesa é formada por Rio Ferdinand e o capitão, John Terry. Jamie Carragher foi o escolhido para a reserva, por sua versatilidade. Zagueiro de origem, pode jogar nas laterais também, mas quando entra para jogar pela lateral, faz a direita, pois a esquerda tem duas opções.

O meio, também em linha, conta com David Beckham aberto pela direita, fazendo lançamentos e aparecendo bem para a conclusão. No extremo esquerdo, Joe Cole joga em velocidade e é o jogador que mais se aproxima do ataque. Pelo centro, enquanto Gerrard fica mais preso à defesa, Lampard é quem arma o jogo e, desta forma, é um dos maiores destaques desta equipe.

O ataque tem três jogadores disputando posição. Michael Owen é o artilheiro da equipe e, por isso, é titular absoluto. A outra posição tem uma disputa entre Wayne Rooney e Peter Crouch. O gigante da camisa 15 leva vantagem, pois Rooney tem um estilo semelhante ao de Owen, de velocidade, enquanto Crouch é mais centroavante, fazendo a parede, cadenciando o jogo e concluindo de dentro da área.


A seleção B também joga no 4-4-2 em linha e, já que no time A temos dois laterais esquerdos jogando, aqui há dois laterais direitos. A defesa tem Micah Richards, Danny Mills, Ledley King e Lescott. Richards e Mills jogam na lateral direita, então qualquer um pode ser deslocado para a esquerda. Não são jogadores de velocidade e apoio; são mais defensivos. King é outro que pode jogar na lateral, mas é preferível deixá-lo na zaga, com Lescott (absoluto no lado esquerdo), pela altura de ambos. O reserva, Anton Ferdinand, é como seu irmão do time A, Rio. Zagueiro central puro. Quando ele entra, outro jogador tem que ser deslocado para a lateral.

O setor de meio de campo começa com Aaron Lennon aberto na direita. Jogador de incrível habilidade, o camisa 7 joga com velocidade, abrindo a defesa adversária e cavando muitas faltas. Do outro lado, Shawn Wright-Phillips tem a mesma característica, embora não tão habilidoso quanto seu colega do outro extremo. O centro deste meio de campo é composto por James Milner e Joey Barton, dois mestres na armação de jogada e organização da equipe. Barton faz mais o estilo de Gerrard, atuando mais recuado, enquanto Milner copia o estilo de Lampard, de atuar mais próximo do campo de ataque. A única diferença da equipe A para a B aqui é o lado direito. Enquanto Beckham é um jogador mais de passe, Lennon é condutor de bola.

O ataque é idêntico ao do time A. Defoe é o jogador baixinho, habilidoso, veloz e com um faro de gol incrível, como Owen; enquanto Andy Carroll faz o estilo Crouch: jogador alto, lento, mas que protege bem a bola, faz o pivô e conclui muito bem de dentro da área. A reserva é que é diferente. Alan Smith é um craque completo. Pode jogar tanto no meio de campo, pelos extremos ou pelo centro, recuado ou mais avançado na armação; quanto no ataque, pelas pontas ou pelo meio, como centroavante.

Aí estão 24 jogadores daquela extraordinária geração. Ainda deixei muitos de fora, como os irmãos Neville, Jermaine Jenas, Kieron Dyer, Stewart Downing, Theo Walcott e tantos outros, mas acho que estes 24 mostram bem a fartura de craques que os ingleses produziram. É só escolher e montar seu próprio time.

domingo, 7 de outubro de 2018

Arte e Botões - Liga Futsal - 07/10/2018

Domingo, 07/10/2018, um dia especial para todos nós, brasileiros. Nos encaminhamos às urnas para eleger nossos representantes pelos próximos 4 anos e, ao voltar, temos uma arte prontinha para curtir.

A minha ideia inicial era fazer uma arte política. Eu iria pegar os candidatos à presidência da república, fazer uma arte com o número de cada um nas urnas; no lugar do fornecedor de material esportivo, iria colocar o símbolo de seu partido; e colocar o escudo do time que cada um torce. A ideia era deixar a arte para quem quiser jogar com os políticos, colocá-los como dirigentes em seus times, ou fazer peças para um jogo de tabuleiros, tipo damas. Mas, hoje, é perigoso falar de política. Os ânimos estão exaltados, qualquer fagulha vira um incêndio e isso porque dizem que somos uma democracia! Então, a arte política foi deixada de lado e, para não passar a data em branco, vamos fazer algo genuinamente nacional e que tanto orgulho nos traz: o futsal!

Ali no final dos anos 90, o futsal sofreu muitas transformações. A FIFA pegou o futebol de salão e o transformou no futsal, mudando algumas coisas na regra, tornando o jogo mais dinâmico e atraente e, com isso, conseguiu dar uma popularidade enorme ao jogo. Até a metade da primeira década do novo século, o Brasil dominou por completo o esporte, com uma legião de craques incríveis, que encantavam o mundo. A criação da Liga Futsal fez com que o esporte ganhasse muitos fãs, que lotavam ginásios para assistir aos craques e suas equipes. Algumas eram tradicionais do futebol (Vasco, Inter, Flamengo, São Paulo, Atlético-MG, Corinthians, só para citar alguns), enquanto outras eram exclusivas do futsal (Ulbra, Carlos Barbosa, Jaraguá...), que entraram para o nosso vocabulário futebolístico.

Mas o brasileiro é desorganizado, não sabe fazer algo lucrar e virar um fenômeno e essa desorganização acaba custando caro. Para citar um exemplo, o timaço do Inter ganhou um campeonato e, no ano seguinte, quem ganhou foi a Ulbra. No ano seguinte, o time do Inter-Ulbra vencia. Em 3 anos, 3 camisa diferentes, mas o mesmo elenco. O Inter resolvia não investir mais no futsal, depois a Ulbra teve dificuldades e se fundiu com o Inter... Isso só servia para confundir o torcedor. Os espanhóis, encantados com esta variação do futsal, injetaram dinheiro e criaram uma liga atraente, levando a maioria dos craques brasileiros. Outros se espalharam pelo mundo (França, República Tcheca, Portugal, Itália, Japão...) e pouquíssimos ficaram por aqui. Isso derrubou a fantástica geração brasileira e deu aos espanhóis o protagonismo que era nosso.

Tenho uma teoria de que o futebol ainda vai acabar seguindo o handebol, o hóquei e o vôlei, que eram esportes de campo (disputados com 11 jogadores) e migraram para versões mais compactas, de quadra, que acabaram extinguindo a versão original. Acho que o futebol de campo ainda tem muita força e fãs, mas se você reparar que uma equipe de futsal gasta menos (são 5 titulares, contra 11 do futebol), ocupa um espaço menor e seus ginásios podem muito bem suportar um dia inteiro de jogos (no futebol, o gramado precisa de uma semana de recuperação), acho que algum dia os gastos do futebol vão ser tão exorbitantes, que o futsal ocupará o espaço. Alguns países, como o Japão, mergulharam nessa febre ao descobrirem como utilizar o topo de prédios, transformando-os em quadras e alugando.

Fico muito triste ao ver que a nossa Liga Futsal não desperta mais o interesse que já teve entre os torcedores. Na minha cabeça, se bem gerida, a nossa LNF poderia ser a NBA do futsal e, por incompetência dos gestores, não é. Sempre tive vontade de ter algo desses craques, mas nunca soube como aproveitar. Agora, tive essa ideia com os botões.

São 27 jogadores de linha do período citado acima (final dos anos 90 e metade da primeira década de 2000), que podem ser sorteados e divididos em vários times, para você formar sua própria Liga Futsal, ou juntá-los em dois times (com reservas) de futebol de botão. Muitos têm números repetidos, justamente para colocá-los em diferentes times de futsal e formar a Liga. E, como a ideia é fazer da LNF a NBA do futsal, também temos dois craques internacionais: o português Ricardinho (o melhor jogador do mundo) e o iraniano Hossein Tayebi (um dos melhores da atualidade), pois a melhor Liga do mundo desperta a atenção dos grandes craques internacionais, certo? Não coloquei goleiros para poder aproveitar ao máximo a folha com jogadores de linha. Afinal, se é futsal, joga-se com um gol menor. Aí, podemos fazer goleiros de caixinha de fósforo e decorá-los com os escudos dos principais times.

A prioridade era escolher imagens dos jogadores com camisas de clubes. Mas a maioria saiu com a camisa da seleção. A arte é padrão, todos da mesma cor e com o mesmo símbolo da LNF, justamente para podermos sortear e trocar livremente os jogadores entre os times. Então, é só escolher a bolinha pesada, colocar na mesa de futsal e se divertir!

sábado, 29 de setembro de 2018

Arte e Botões - Newcastle Gol! - 29/09/2018

Sábado é dia de arte, a última de setembro. E lá vamos nós com mais uma grande história por trás dela. A equipe de hoje é o Newcastle, mas não é qualquer um. Vamos falar do Newcastle do romance Gol!, de Robert Rigby.

Em 2005, o inglês Robert Rigby lançou esta deliciosa história, chamada Gol!, que virou filme e livro. O livro eu costumo dizer que é uma "trilogia de dois livros", porque embora os filmes tenha sido feitos normalmente, o terceiro livro foi deixado de lado. Só foi publicado muito mais tarde e, ao que parece, não foi traduzido para o português. A história fala de Santiago Muñez, um mexicano que vive com o pai, a avó e o irmão mais novo nos Estados Unidos e trabalha com o pai em uma firma de jardinagem. Muñez é apaixonado por futebol e sonha em jogar profissionalmente. Como bom mexicano tentando viver o sonho americano, o pai de Santiago acha uma besteira a ideia fixa do filho pelo futebol e quer que ele se concentre em cortar grama. A avó, por outro lado, o incentiva. E assim, do time amador Americanitos de Los Angeles, Santiago consegue um teste no Newcastle, da Inglaterra. No teste com os reservas, Santiago descobre as dificuldades de fugir das botinadas dos marcadores e do preconceito e, com o seu talento, consegue chegar ao time de reservas. O destino lhe dá uma mãozinha e ele chega ao time principal, onde o treinador da equipe, Erik Dornhelm, tenta dar uma cara à equipe e levá-la à Liga dos Campeões da Europa. O Newcastle contratou uma estrela do futebol inglês para usar a camisa 10, o garoto prodígio Gavin Harris, mas ele só quer saber de festas e vive chegando atrasado. Harris não dá o retorno esperado e Dornhelm tenta fazer com que Santiago Muñez seja o parceiro ideal para Harris mostrar seu futebol.

A história do primeiro livro (Gol! Todo sonho tem um começo) gira em torno disso, com Santiago se firmando na equipe e chamando a atenção do mundo da bola. As dificuldades com a fama, o romance com uma garota timida, os gols e todo o drama de classificar o Newcastle para a UCL no último lance do campeonato estão aqui. A segunda história (Gol 2 - Vivendo o sonho) foi publicado em 2007 e trata de um Santiago já consagrado se transferindo para o Real Madrid e jogando com os Galáticos, numa sacada espetacular do autor, que usou a transferência real de Michael Owen, do Real para o Newcastle, como motivo para, na história, Santiago ir para o time espanhol. O terceiro livro deveria sair em 2009, mas foi só em 2010 que Gol 3 - Dias de glória foi lançado. Aqui, Santiago retorna ao Newcastle e é convocado para defender o México na Copa da África do Sul, mas uma lesão em partida pré-Copa pode por seu sonho no chão.

Esta história é leitura obrigatória para todo fã de futebol. Quem não gosta de ler pode conferir nos filmes toda a magia da arte de Robert Rigby, embora os livros sejam muito melhores do que os filmes. O autor mistura personagens reais com os fictícios, criando uma atmosfera maravilhosa em torno de algo que nós não temos aqui no Brasil. Embora seja difícil para entendermos o que é um campeonato de reservas, conseguimos visualizar claramente Santiago treinando no centro menor do Newcastle enquanto admira Shearer, Jenas e outros brilhando no espetacular St James Park. O Newcastle foi escolhido como o time da história porque era mais fácil e barato rodar o filme lá, mas acabou caindo como uma luva. Depois de ler a história, ganhei uma simpatia forte pelo time de Newcastle upon Tyne, mais próximo de Edimburgo (Escócia) do que de Londres, a capital inglesa.

O time que irei apresentar aqui tem os jogadores criados por Robert Rigby e os verdadeiros atletas citados na história, para criar um time base. Como a maioria dos atletas de verdade citados são jogadores de ataque (Carr e Given são os únicos defensores citados), tive que recorrer ao Newcastle da temporada 2005-06 para buscar a linha de defesa. O único defensor que aparece mesmo é Hughie McGowan, um zagueiro fictício dos reservas, que torna a vida de Santiago bem difícil e, depois, vira amigo dele. Eu pretendia colocá-lo no time, mas não achei imagem dele no filme e, por isso, ele ficou de fora (infelizmente). Então, vamos conhecer o Newcastle Gol!

A equipe joga no 4-4-2 em linha, tradicional no futebol inglês. Os laterais formam uma linha com os zagueiros e não vão muito ao ataque. O meio campo tem dois jogadores pelo meio e dois abertos nas pontas, não há aquela divisão de volantes e meias. Os atacantes também jogam em linha.

No gol, o irlandês Shay Given passa tranquilidade ao time, com sua segurança. Fiz uma arte um pouco diferente, colocando-o voando e, ao fundo, o estádio de St James Park, onde o Newcastle manda seus jogos para mais de 50 mil pessoas. A defesa tem Stephen Carr e Eliott nas laterais e Ramage e Taylor como zagueiros. Como disse anteriormente, são jogadores que busquei no elenco da temporada 2005-06 (quando se passa a história), então não posso dizer muita coisa sobre eles.

O meio de campo é composto por Santiago Muñez, Jermaine Jenas, Kieron Dyer e Lee Bowyer. Jenas e Dyer jogam pelo centro, com Jenas mais recuado e iniciando as jogadas, enquanto Dyer atua mais à frente, dando o último passe para os atacantes. Dyer é um ídolo do Newcastle, sua presença faz com que o time cresça bastante durante os jogos. O fictício Muñez joga aberto na direita, tal qual David Beckham, mas é mais driblador, conduz bem a bola e aparece na área para concluir. Na esquerda, Bowyer é um jogador que não tem muita velocidade, mas tem boa habilidade para levar a bola aos atacantes.

O ataque é composto por Gavin Harris e Alan Shearer. O camisa 10 é o fictício garoto-problema, que joga pela direita, tem boa habilidade e um chute forte e colocado. Já o camisa 9 é, talvez, o maior ídolo da História do clube. Shearer é um artilheiro nato, que faz gols de qualquer jeito e ainda sabe armar o jogo. Também é o capitão da equipe e a referência para qualquer um que vista essa camisa.

Na reserva, Lee Clark joga em qualquer posição no setor defensivo, enquanto Nicky Butt é meiocampista central. Sua entrada obriga o time a se rearrumar. Se substituir um atacante, Muñez vai para o ataque, Dyer pode ir para a direita e Butt fica pelo meio.

Ainda fiz o treinador Erik Dornhelm, para aumentar a diversão colocando-o na beira do campo e vendo-o comandar a equipe. Quando se trata de treinadores do Newcastle, gosto mais de Kevin Keegan, mas Robert Rigby criou Dornhelm e deu a ele uma personalidade muito interessante e, por esse motivo, preferi colocá-lo na arte.

Então é isso. Temos aí um time inglês, meio à vera, meio à brinca, para montar e iniciar um campeonato inglês. Afinal, como diz o próprio título, todo sonho tem um começo!

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Arte e Botões - Ciclismo - 21/09/2018

O final de semana já está todo rifado. A semana foi pesada, dificultando a criação da arte que estava planejando. Então vou deixar aquela arte para a próxima semana e, nesta, vamos fazer uma coisa diferente. Vamos falar de ciclismo! E sim, vamos ter arte de ciclismo...

Eu gosto muito de esporte, mas tem quatro que são os meus favoritos: futebol, handebol, luta livre e ciclismo. O futebol é óbvio; 99% dos brasileiros são varridos por essa onda. Handebol é porque é o mesmo do futebol, só que com as mãos. Plástico, técnico, emocionante. Luta livre é uma paixão que me fisgou quando tinha apenas 4 anos de idade. Todo aquele negócio de ter uma história por trás do combate, invasões, máscaras, personagens... e o ciclismo... bom, o ciclismo é um caso à parte. Uma vez vi um Tour de France e me encantei. Aquelas equipes pedalando juntas milhares de quilômetros, as estratégias, os ciclistas... sei lá por que. Mas me apaixonei. Vou tentar explicar um pouco antes de apresentar as artes (sim, são duas!). Existem várias modalidades de ciclismo, sendo as mais conhecidas o mountain bike, o ciclismo de pista e o ciclismo de estrada. É este último que me encanta.

O ciclismo de estrada é conhecido como o "mais individual dos esportes coletivos" ou o "mais coletivo dos esportes individuais", por ser uma corrida de bicicletas, onde cada ciclista corre sozinho, mas tem toda uma equipe envolvida na competição. Uma prova de ciclismo pode ser, basicamente, dividida em corrida por etapas ou uma clássica. A clássica é uma prova só, onde o que chegar em primeiro é o vencedor. Na corrida por etapas, várias provas são disputadas e, após a última delas, o ciclista que cruzar a linha de chegada com o menor tempo no somatório é o vencedor geral. Além deste, há outros prêmios em disputa. Entre eles, só para simplificar a postagem, há o vencedor por pontos e o vencedor de montanha.

A corrida por etapas se divide, basicamente, em dois tipos: contra relógio e corrida tradicional. O contra relógio é uma etapa curta, a maioria tem menos de 40 quilômetros. Cada ciclista larga sozinho (normalmente, com 90 segundos de diferença um para o outro) e vence aquele que fizer o percurso em menos tempo. A corrida tradicional é longa, com mais de 100 quilômetros e algumas ultrapassando os 200 quilômetros. Pode ter tanto trechos planos quanto inclinados, com chegada no plano (em sprint) ou no alto (etapa de montanha). Aqui, os ciclistas largam juntos e vence quem cruzar a linha de chegada em primeiro. Nas provas tradicionais, há pontos em que o ciclistas que cruzarem primeiro conquistam pontos (meta volante) ou pontos de montanha (meta de montanha), que valem para as respectivas classificações. Por isso simplifiquei anteriormente, para explicar somente a pontuação do velocista e do montanhista...

As clássicas, como explicado anteriormente, são provas únicas, sem somar pontos ou pontos de montanha. São caracterizadas por, na maioria dos casos, apresentarem condições mais difíceis para os ciclistas: tempo mais frio ou chuvoso, piso de terra ou paralelepípedo.

Uma equipe de ciclismo que disputa uma prova ou prova por etapas tem suas posições bem definidas. Cada ciclista tem uma função dentro da equipe, por isso se diz que é o "mais coletivo dos esportes individuais". Basicamente, há quatro posições dentro de uma equipe: líder, sprinter, gregário e corredor livre.


  • O líder é, como se fosse no futebol, o capitão do time. Tudo gira em torno dele. Os ciclistas o protegem durante as provas, para que ele esteja sempre bem posicionado. O líder é aquele que irá disputar o título da classificação geral. Sua posição é tão importante, que se estiver disputando classificação contra um companheiro de time e atacar (correr sozinho, se destacando do pelotão), o seu companheiro não pode contra atacar (devolver o ataque, correndo atrás do atacante). Normalmente, são ciclistas bons em contra relógio, montanhas e resistentes.
  • O sprinter poderia ser definido como o artilheiro do time de futebol. Os ciclistas fazem todo o trabalho, enquanto o sprinter descansa para correr os últimos metros. Com boa explosão, arranca após o último quilômetro para vencer a corrida. Sua única especialidade é decidir num sprint; nas montanhas fica bem atrás dos outros corredores e, no contra relógio, só faz figuração.
  • O gregário é, tipo, o volante do futebol. Ele é quem faz o trabalho pesado: protege o líder e o sprinter para que eles não peguem vento, dita o ritmo do pelotão, é responsável por voltar para fazer vácuo para um corredor importante que ficou para trás, vai para o fim do pelotão pegar água... um gregário não se importa em vencer, apenas garantir os objetivos da equipe.
  • O corredor livre é aquele que não tem função definida na equipe, podendo ser comparado àquele atacante veloz e habilidoso, que é dispensado da marcação para infernizar a defesa adversária. O corredor livre não tem que proteger outro ciclista, é livre para fazer o que quiser. Normalmente, são aqueles que atacam no início da corrida e correm atrás das metas volante e dos pontos de montanha.


Explicadas as posições, só falta uma pequena explanação sobre a especialidade de cada ciclista. Como no futebol há aqueles que são bons de marcação, de passe, de finalização, etc, no ciclismo também há essas especialidades. Um ciclista de ponta, que atue numa das grandes equipes da UCI (a entidade máxima do ciclismo), tem pelo menos uma habilidade, tal qual em um jogo de RPG (magia, ataque, defesa, etc). Vamos limitar bem as habilidades, colocando somente as principais, que estão presentes nos ciclistas desta postagem. São elas sprint, montanha, contra relógio, corredor de clássicas e corredor por etapas.


  • Sprint é a habilidade do ciclista de decidir, em uma arrancada, a prova com chegada no plano. Normalmente, um sprinter é um ciclista baixo e forte, com explosão para acelerar no último quilômetro e, também, se posicionar durante a disputa final.
  • Montanha é a habilidade do ciclista de escalar, de aguentar bem uma subida, não importa a inclinação. Normalmente, um escalador é um ciclista magro, de pernas compridas, que tem grande resistência e pouca velocidade.
  • Contra relógio é a habilidade do ciclista de manter um ritmo forte e constante em uma prova curta. As provas de contra relógio são curtas e exigem que o ciclista seja veloz o tempo todo. Os contra relogistas, na maioria dos casos, só servem para este tipo de prova, já que não possuem resistência para serem considerados favoritos em provas longas, nem têm a explosão para ganhar uma corrida em sprint.
  • Corredor de clássicas é aquele ciclista que tem boa resistência em condições adversas. Resistente ao frio, bom em terrenos acidentados (terra, paralelo, etc), habilidoso na chuva.
  • Corredor por etapas é um ciclista que não tem uma das habilidades anteriores como especialidade, mas é bom em todas elas. Normalmente, é fraco no sprint, bom na montanha e muito bom em contra relógio, mas sem ser excelente em nenhuma. Justamente por misturar bem os estilos, um corredor por etapas é o líder da equipe numa prova, já que consegue tirar o melhor de cada etapa para estar sempre entre os primeiros.


Com esta breve (longa) apresentação do mundo do ciclismo, vamos às artes. São 30 ciclistas, divididos em duas folhas de arte, com os maiores nomes dos últimos 15 anos do ciclismo mundial. Não vou me alongar muito no histórico de cada um, nem citar as polêmicas de doping. Vou apenas dizer o nome do ciclista, sua nacionalidade, a(s) habilidade(s) presente e a equipe que escolhi para ele (dentre as várias que ele já defendeu) Seguirei a ordem da esquerda para a direita, começando pela linha de cima.

  1. Lance Armstrong - O famoso ciclista dos Estados Unidos é um corredor por etapas, aqui na equipe USPS;
  2. Fabian Cancellara - O ciclista da Suiça é uma lenda do contra relógio, aqui correndo pela Saxo Bank;
  3. Oscar Pereiro Sio - O ciclista da Espanha é um corredor por etapas, aqui representando as cores da Caisse D'Erpagne;
  4. Tom Boonen - O ciclista da Bélgica é um sprinter, correndo pela Quickstep;
  5. Oscar Freire - Ciclista da Espanha, sprinter da equipe Rabobank;
  6. Andy Schleck - Ciclista de Luxemburgo, é um montanhista que corre pela Saxo Bank;
  7. Mark Cavendish - Ciclista da Inglaterra, sprinter lendário, aqui na equipe T-Mobile;
  8. Bauke Mollema - Ciclista da Holanda, corredor por etapas com habilidades de montanhista. Corre pela Rabobank;
  9. Alberto Contador - Ciclista da Espanha, corredor por etapas. Defende as cores da Astana;
  10. Thor Hushovd - Ciclista da Noruega, foi sprinter a maior parte da carreira, depois se especializou em contra relógio. Aqui, atua na Credite Agricole;
  11. Frank Schleck - Irmão mais velho de Andy, também é de Luxemburgo e também é especialista em montanhas. E também é da Saxo Bank.
  12. Luciano Pagliarini - Ciclista brasileiro, corredor por etapas. Aqui, na Saunier Duval;
  13. Sylvain Chavanel - Ciclista francês, corredor por etapas, defende a Quick Step;
  14. Damiano Cunego - Ciclista italiano, montanhista. Defende a Lampre;
  15. Danilo di Luca - Lendário ciclista italiano, quase completo. Excelente montanhista, bom corredor por etapas e bom no sprint também. Aqui, defendendo as cores da Liquigás.
  1. Vincenzo Nibli - Ciclista italiano, montanhista e com certa habilidade de corredor por etapas. Defende a Astana;
  2. Fernando Gaviria - Ciclista colombiano da nova geração, sprinter que atua pela Quick Step;
  3. Romain Bardet - Ciclista francês, especialista em contra relógio e com certa habilidade de corredor por etapas. Defende a AG2R;
  4. Phillip Gilbert - Ciclista belga, corredor por etapas, mediano no contra relógio e nas montanhas. Defende a Lotto Belisol;
  5. Chris Froome - A sensação do ciclismo mundial na atualidade, é um atleta inglês. Excelente corredor por etapas, com um contra relógio muito bom e excelente nas montanhas. Defende as cores da Sky;
  6. Thibault Pinot - Ciclista francês, corredor por etapas. Defende a Française De Jeux;
  7. Marcel Kittel - Ciclista alemão, sprinter. Defende a Dimension Data;
  8. Peter Sagan - Ao lado de Froome, a grande sensação do ciclismo mundial na atualidade. O ciclista da Eslováquia é um excelente sprinter, dono da linha de chegada na UCI. Atua pela Bora;
  9. Tom Dumolin - Ciclista da Holanda, é especialista em contra relógio e, ao contrário do que dita a regra para contra relogistas, é bom também nas montanhas. Corre pela Sunweb;
  10. Andre Greipel - Ciclista da Alemanha, sprinter. Defende a Lotto Belisol;
  11. Julian Alaphilippe - Ciclista da França, montanhista. Corre pela Quick Step;
  12. Fabio Aru - Ciclista da Itália, é um corredor por etapas com boa habilidade nas montanhas. Atua pela Liquigás;
  13. Domenico Pozzovivo - Ciclista italiano, é habilidoso nas montanhas. Atua pela AG2R;
  14. Murilo Fischer - Ciclista do Brasil, é um sprinter que atua pela Française De Jeux;
  15. Francisco Chamorro - Ciclista da Argentina, é um sprinter que não fez sucesso no circuito mundial, mas de grande sucesso aqui no Brasil. Nesta arte, atua pela Credite Agricole.

Aí estão os 30 ciclistas que escolhi para estas duas artes. Para os que gostam de jogar futebol de botão com uma arte alternativa ao futebol, é uma boa opção, dá para fazer 3 times. Para os que não gostam de misturar as coisas, você pode utilizar como botões para jogos de tabuleiro de corrida; fazer uma corrida escolhendo um circuito no chão e dando palhetadas; ou simplesmente fazendo botões decorativos. Deixe a imaginação fluir e se divirta!

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Arte e Botões - Bolívia 1994 - 17/09/2018

O final de semana foi muito apertado e, com a decisão da Copa do Rei no domingo, a seção Arte e Botões ficou prejudicada. Mas nada como uma boa segunda-feira para uma seleção e uma história divertida... então, vamos a ela!

Hoje eu vou falar da seleção boliviana, mas não de qualquer uma. Vou falar daquela que fez história ao se classificar para a Copa do Mundo de 1994 e, em 1997, foi vice campeã da Copa América, ao perder para o Brasil na final. Esta seleção caiu no gosto dos torcedores de tal forma, que é considerada a melhor geração de todos os tempos, superando a campeã da Copa América de 1963.

Em 1993, começavam as eliminatórias sulamericanas para a Copa de 94, que seriam as mais dramáticas e surpreendentes até então já vistas. Antes de começar, já havia polêmica no ar. O Chile foi banido de competições oficiais por cinco anos, graças ao caso da fogueteira e do goleiro Rojas nas eliminatórias para a Copa de 1990, então a edição de 1993 do torneio sulamericano teria apenas nove seleções, divididas em dois grupos, um com quatro e outro com cinco seleções. O continente tinha direito a três vagas e meia. O grupo B, com cinco seleções, classificaria duas equipes, enquanto o grupo A, com quatro seleções, classificaria a primeira colocada e a segunda teria que disputar uma repescagem com o campeão da Oceania.

Com a Argentina no grupo A e Brasil e Uruguai no B, o filé já estava na chapa para aquele banquete sensacional. No grupo A, a Colômbia não deveria ter dificuldades em se classificar para a repescagem, superando Paraguai e Peru. No B, Bolívia, Equador e Venezuela não fariam frente aos dois favoritos. Será? No grupo A a Colômbia aplicou um histórico 5x0 na Argentina, em pleno Monumental de Nuñez, acabando com uma invencibilidade de 31 partidas, classificando os colombianos e empurrando os argentinos para a repescagem. Já o grupo B...

Só para se ter uma ideia, o Brasil estreou empatando com o Equador (0x0) e só não perdeu porque recebeu uma mãozinha do juiz. Enquanto isso, a Bolívia estreava fora de casa, metendo 7x1 na Venezuela. O jogo seguinte seria um duelo entre os dois e uma vitória fácil do Brasil já estava sendo falada. Mas os bolivianos pareciam jogar uma final de Copa do Mundo e dominaram o jogo inteiro. Taffarel pegou um pênalti aos 35 do segundo tempo, mas depois frangou e a Bolívia venceu por 2x0, a primeira derrota do Brasil na história das eliminatórias. Depois disso, os bolivianos enfrentaram Uruguai (3x1), Equador (1x0) e Venezuela (7x0), todos em casa. Em cinco jogos, a Bolívia venceu os cinco e começou a incomodar Brasil e Uruguai, que se vingaram nos jogos em casa. Os brasileiros venceram por 6x0 e os uruguaios, por 2x1. Acontece que a Bolívia fez o dever de casa, venceu todos os jogos e precisava apenas empatar na última rodada, com o Equador, enquanto Brasil e Uruguai faziam um jogo dramático no Maracanã. Enquanto Romário marcava duas vezes nos 2x0 de cá, os bolivianos seguravam o 1x1 lá e iam para a Copa. O Uruguai, por sua vez, ficou de fora.

Na Copa, o craque do time, Etcheverry, estava lesionado. Para piorar, a estreia era contra a atual campeã Alemanha. Etcheverry ficou no banco, entrando só no segundo tempo quando os campeões já venciam por 1x0. Logo no primeiro lance, o camisa 10 boliviano deu um toque sensacional, que seu companheiro desperdiçou. No lance seguinte, pisou no adversário, foi expulso e suspenso pelo resto da Copa. Uma decepção, que acompanhou o resto da seleção, que empatou com a Coreia do Sul (0x0) e perdeu da Espanha (1x3), dando adeus à competição na primeira fase. Ao menos Erwin Sanchez fez história ao marcar o único gol boliviano na Copa.

Falar que esta equipe só foi à Copa graças à altitude é uma injustiça. Uma geração talentosa, para os padrões bolivianos, com atletas que atuavam na Europa e em grandes times sulamericanos, um treinador espanhol. Tudo isso resultou numa seleção que encantou muitos e trouxe esperança ao país mais pobre da América do Sul. Vamos conhecer os principais jogadores deste simpático esquadrão!

Obs: Mais uma vez, vamos misturar quem eram aqueles jogadores realmente com a magia juvenil de quem se encantou por aquele time e criou as mais fantásticas histórias a respeito de seus craques.

Começando pelo gol, Carlos Trucco não era propriamente um paredão. Um pouco baixo (1,80m), caiu nas graças da torcida mesmo sendo argentino de nascimento. Teve uma atuação memorável na estreia na Copa, fechando o gol contra a Alemanha. A defesa atuava praticamente em linha, pois os laterais não apareciam muito no ataque. Com Rimba na lateral direita e Juan Peña na esquerda, a zaga se completava com Sandy e Borja, sendo que Sandy é o principal nome deste setor. Com passagens pelo Valladolid, organizava bem a zaga e se completava com Borja, que atuou a carreira inteira no Bolivar.

No meio de campo, a equipe atuava praticamente com três volantes e um armador, formando um losango com um volante à frente da zaga e os outros dois saindo com a bola, para ajudar na armação. O volante à frente da zaga era Quinteros, praticamente um zagueiro que só sabia destruir. Os outros volantes eram Melgar e Baldivieso. Melgar gostava de chegar à frente e, com isso, chamou a atenção de times grandes do continente, chegando a atuar no Boca Juniors e no River Plate. Baldivieso era mais técnico, bom de passe, organizador de jogadas. Jogou em times do continente e, também, do Japão e do mundo árabe. O armador da equipe merece um parágrafo à parte...

Marco 'El Diablo' Etcheverry, o camisa 10 do time, o maior jogador da história do futebol boliviano. Com boas passagens no futebol da Bolívia, Colômbia e Equador, foi no Colo Colo do Chile que deslanchou de vez para o futebol. O grande nome desta seleção tinha uma fama tão gigantesca, que foi um dos grandes craques contratados para abrilhantar o início da MLS. Foi para o DC United ser o camisa 10 do primeiro campeão da nova liga norte americana. Meia atacante de muita habilidade, era bom no passe, bom driblador, muito bom em faltas, pênaltis e escanteios, chutava bem de longe e fazia muitos, muitos gols. É, talvez, o canhoto que melhor chute de pé direito até hoje, tamanha a facilidade que tinha para pegar na bola.

O ataque tem dois excelentes jogadores, Erwin 'Platini' Sanchez e Alvaro Peña. Erwin Sanchez é conhecido como o 'Platini dos Andes', pelo seu estilo de jogo muito parecido com o do craque francês, guardadas as devidas proporções. Meia atacante de qualidade, tinha velocidade e era incisivo. Do meio de campo para a frente, podia jogar em qualquer posição. Se o colocassem na área, era fatal; se o colocassem para servir o centroavante, este teria muitas bolas para tentar marcar o gol durante o jogo; recuado para a armação, sabia se virar, tanto é que assumiu a função na Copa, quando Etcheverry foi expulso logo na estreia. Atuou no Benfica, Boavista e Estoril, fazendo muito sucesso no futebol português. Alvaro Peña era o centroavante do time e, apesar de não ter tanta habilidade quanto Etcheverry e Sanchez, era o homem-gol daquela equipe, o responsável por mandar a bola para a rede, e o fazia com uma pontaria certeira.

Seguindo as regras da FIFUBO, a equipe apresenta dois reservas, um para a defesa e outro para o ataque. O defensor é Oscar Sanchez, que podia atuar em qualquer posição do meio de campo para trás. Sua polivalência chamou a atenção do futebol argentino, onde atuou por Independiente e Gimnasia de Jujuy. Faleceu em 2007, vítima de câncer. O atacante é William Ramallo, conhecido como o 'Pescador da Área' ou o 'Goleador da América'. Atuou a carreira inteira no futebol boliviano e fez muitos gols. Jogador de velocidade, dono de uma pontaria certeira, era um dos favoritos da torcida.

O treinador é Xabier Azkargorta, um espanhol que caiu de paraquedas na Bolívia, após ter treinador times bons de seu país, como Espanyol, Sevilla e Valladolid. Também treinou a seleção do Chile e outros clubes na América e na Ásia e foi coordenador da base do Real Madrid. Dono de um vistoso bigode, teve a mesma percepção na Bolívia que Wanderley Luxemburgo no Cruzeiro campeão da tríplice coroa. Viu que tinha três jogadores muito bons no ataque, então armou o resto segurando as coisas na defesa para que os três atacantes pudessem se consagrar. Sua equipe joga num 4-4-2 losango defensivo, com os dois laterais, os zagueiros e ao menos um dos volantes fixos na zaga. Os outros dois volantes só têm permissão para ir ao ataque quando a equipe tem a bola. Os únicos que não precisam voltar para marcar são Etcheverry, Erwin Sanchez e Alvaro Peña. A responsabilidade desses é fazer os gols que levam a Bolívia ao sucesso!

A arte está aí e o desejo de fazer este time é grande. A expectativa é de que a Bolívia chegue à FIFUBO entre 2019 e 2020, como parte do projeto Copa do Mundo de chegar a 12 seleções.

domingo, 16 de setembro de 2018

Copa do Rei 2018 - Final - 16/09/2018

Último domingo de inverno, céu azul, temperatura amena e Itaquá Dome lotado para a grande final da  Copa do Rei 2018. O torneio trouxe muitas novidades: novo comando em várias seleções, mudança no preparo físico dos jogadores, novos bancos de reservas, despedida da arbitragem tradicional e, para a final, a grande surpresa foi a inauguração do placar do Itaquá Dome. Vamos ver como foi a final desta importante Copa!

O novo placar do Itaquá Dome
A Argentina superou todas as crises políticas que a AFA insiste em fabricar, apresentou uma comissão técnica entrosada e conseguiu se recuperar da decepcionante campanha na Copa do Mundo, onde foi eliminada na primeira fase com 3 empates e terminou em quinto lugar. Na Copa do Rei, a equipe venceu a Holanda (4x1) e o Brasil (4x3) para chegar à final.

A Argentina foi a campo com 1. Abbondanzieri; 2. Mercado, 4. Demichelis, 6. G. Milito, 3. Vangioni; 14. Mascherano (c), 8. Conca, 7. Di Maria, 10. Messi; 13. Alario e 9. Scocco. O treinador, Carlos Bianchi, e o auxiliar, Alfio Basile, tinham no banco 5. Kranevitter e 11. Tevez

A Alemanha também teve que se superar nesta Copa. Após uma boa campanha no mundial, onde terminou na quarta posição, a equipe teve um ganho absurdo nas partes tática e técnica, crescendo e encarando de frente seus rivais até aqui. O grande problema, que a fez se superar na Copa do Rei, foi a indisciplina. Nos dois jogos, a equipe teve jogadores expulsos e levou gol na falta que originou a expulsão, tendo que se desdobrar com um a menos e conseguir classificações heróicas. Com isso, a equipe não teria a dupla de ataque titular, pois Podolski e Klose foram expulsos nas partidas anteriores e cumpriam suspensão. Assim, a Alemanha vinha para a final com um esquema que oscilava entre o 4-5-1 e o 3-5-2. Para chegar até aqui, superou a França nos pênaltis, por 4x2, após empate em 2x2 no tempo normal e, na semifinal, a Inglaterra, por 3x1.

A Alemanha foi a campo com 1. Neuer; 6. Hummels, 2. Mertesacker, 5. Badstuber, 3. Lahm (c); 7. Schweinsteiger, 4. Reus, 14. Draxler, 8. Kroos, 13. Muller; 9. Goetze. O treinador, Lothar Matthaus, e seu auxiliar, Parraguez, não tinham atletas no banco, devido a suspensões.

ARGENTINA 5x4 ALEMANHA

O nível altíssimo da competição teve seu ápice nesta final. Um jogo eletrizante desde o pontapé inicial e muita emoção até o juiz, Juan Carlos Loustau, erguer o braço e encerrar a competição. A Alemanha veio disposta a fazer pressão desde o início e tentar construir o placar logo, pois sabia que o cansaço bateria na reta final e não haveria reservas para manterem o ritmo alto.

A pressão deu resultado e, com apenas um minuto, o placar já foi inaugurado. Após boa jogada entre Schweinsteiger e Muller, que Abbondanzieri defendeu, a Alemanha voltou a pressionar. Reus forçou o erro de Messi, Mertesacker tocou a Draxler na meia direita e o camisa 14 esticou para Mario Goetze. Dentro da área, o camisa 9 chutou de primeira e encobriu o goleiro argentino, fazendo Alemanha 1x0.

O ritmo forte dos alemães surpreendeu o time argentino, que se viu em desvantagem no placar e precisava se reagrupar para tentar o empate. Mas a Alemanha veio preparada para a final. Quando não tinha a bola, jogava no 4-5-1, com dois volantes e 3 armadores. Quando tinha a bola, enquanto Hummels virava terceiro zagueiro, Thomas Muller partia para o ataque e a equipe jogava no 3-5-2. A estratégia dava certo e os argentinos tinham dificuldades, mas a entrada de Bianchi no comando técnico provou-se acertada para fazer o time sulamericano entender sua importância no cenário mundial.

Aos 4 minutos, Mario Goetze recebeu na ponta direita e avançou, mas Gabriel Milito o desarmou com elegância e tocou a Di Maria no meio. O camisa 7 procurou Scocco na esquerda e o camisa 9 se viu marcado por três adversários. De canto de olho, percebeu Vangioni arrancando pela meia. O passe encontrou o camisa 3, que adiantou a bola e, no melhor estilo Roberto Carlos, desferiu potente chute e venceu Neuer, empatando a peleja: Argentina 1x1.

Com a igualdade no placar e menos da metade do primeiro tempo jogado, a partida ganhou em emoção e as duas equipes se fartaram de perder oportunidades. Os alemães tiveram chances que Abbondanzieri salvou, mas dava para perceber que não tinham tanto fôlego, após o início em alta velocidade. Os argentinos, por outro lado, tinham tranquilidade e organização, fazendo os alemães correrem atrás da bola para cansarem.

Aos 10 minutos, um sumido Di Maria resolveu jogar. Mascherano cercou Thomas Muller e Di Maria roubou-lhe a bola, iniciando uma jogada de ataque onde buscou tabelas com Vangioni e Messi, até chegar ao campo do adversário. Di Maria passou a bola a Scocco na esquerda, recebeu de volta, invadiu a área, olhou o posicionamento de Neuer e o deslocou com um toque de muita categoria no canto direito, para fazer Argentina 2x1.

No intervalo, só a Argentina poderia mudar e o fez. Bianchi tirou Gabriel Milito e Alario para colocar Kranevitter e Tevez, prevendo que teria o contra ataque. Matthaus não pôde fazer mudanças, mas ajeitou o posicionamento da equipe e pediu que os jogadores se esforçassem mais ainda para conquistar o inédito título.

Se alguém tinha dúvida da genialidade de Carlos Bianchi, perdeu essa dúvida logo aos 40 segundos. A Alemanha deu a saída de bola no 'toca y me voy' de Muller e Kroos. No bico da área, o camisa 13 alemão recebeu a bola de volta e se preparou para a conclusão. Mas Kranevitter estava no lugar certo e lhe roubou a bola no último momento, tocando a Di Maria na meia. O camisa 7 abriu a Scocco na ponta esquerda e o camisa 9 partiu no contra ataque, puxando a marcação para o seu lado. Com um toque para o lado direito, encontrou Conca livre. O camisa 8 invadiu a área, trouxe para o pé esquerdo e tocou na saída de Neuer, fazendo Argentina 3x1.

A Alemanha tem uma grande equipe, bem armada e muito técnica, mas peca na indisciplina. A equipe só não chegou à final inteira porque, em todos os jogos, algum jogador cometia uma besteira e era expulso, sobrecarregando os demais. Aqui, não foi diferente. Aos 3 minutos, o capitão Phillip Lahm foi ao ataque e acabou cometendo falta tripla, levando o cartão vermelho. Schweinsteiger herdava a faixa de capitão e a Alemanha se via, novamente, em desvantagem numérica.

O karma alemão nesta Copa do Rei não é só de ter um jogador expulso em cada jogo, mas também tomar um gol na falta que originou a expulsão. E, novamente, karma is a bitch. Demichelis cobrou a falta para Mercado, que lançou Conca na direita, exatamente no buraco deixado por Lahm. O camisa 8 foi até a entrada da área, trouxe para o pé esquerdo e chutou cruzado, sem chances para Neuer, fazendo Argentina 4x1.

Nova expulsão seguida de gol, Argentina marcando 4 novamente... tudo conspirando maravilhosamente para o título argentino. Mas outra marca desta Copa fez questão de aparecer aqui, que é a Lei do Um a Menos. A Alemanha voltou a se agigantar na desvantagem e endureceu o jogo. Logo na saída de bola, aos 4 minutos, Thomas Muller e Toni Kroos foram tabelando, tabelando, envolvendo a defesa  argentina, até que Kroos recebeu na entrada da área, trouxe para o pé direito e chutou cruzado para vencer Abbondanzieri: Alemanha 2x4.

Se de um lado temos a superação alemã, do outro temos o gênio Carlos Bianchi. Sem se alterar nem levantar voz, o comandante argentino acalmou sua equipe, distribuiu ordens e a equipe fez a bola circular para gastar o tempo. E, envolvendo o time adversário de lá pra cá, o campo se abre e as coisas ficam mais fáceis. Aos 7 minutos, uma trama que envolveu Mascherano, Conca, Messi e Di Maria encontrou Vangioni na ponta esquerda. O camisa 3 foi ao fundo e cruzou rasteiro para trás. Scocco recebeu, trouxe para o pé esquerdo e chutou rasteiro no canto de Neuer, fazendo Argentina 5x2.

A Alemanha descontou na saída, aos 8 minutos. Thomas Muller deu a saída no 'toca y me voy', mas Toni Kroos resolveu ir para o outro lado. Driblou Messi e Conca para puxar a bola para o pé direito e acertar um chute forte, vencendo Abbondanzieri e fazendo Alemanha 3x5.

A Argentina tentou gastar o tempo e Di Maria mandou a bola para as arquibancadas, a fim de fazer com que o tempo para buscá-la acabasse com o jogo. Mas a Alemanha se reagrupou rápido, no 3-5-1, e conseguiu uma ótima jogada no tiro de meta. Neuer cobrou a Muller no meio, que tocou a Reus na esquerda. O camisa 4 avançou pela ponta e rolou a Goetze no meio, que estava de costas pro gol e marcado. Como pivô, o camisa 9 tocou atrás a Toni Kroos, que invadiu a área e chutou na saída de Abbondanzieri para anotar seu hat trick: Alemanha 4x5, aos 9 minutos.

Neste momento, não havia um só torcedor sentado no Itaquá Dome. Todos estavam de pé, pulando, cantando e preocupados com um ataque cardíaco neste final de jogo eletrizante. Os jogadores e treinadores também estavam nesta tensão, mas a Argentina tinha um jogador que estava gelado em campo: Dario Conca. O camisa 8 pediu a bola, rodou o campo inteiro e conseguiu gastar o tempo. A bola só saiu dos pés de Conca para o juiz Juan Carlos Loustau pedir a bola e encerrar o jogo.

E o placar ficou assim mesmo, Argentina 5x4 Alemanha
ARGENTINA CAMPEÃ DA COPA DO REI 2018

Não há dúvidas de que o time argentino foi superior aos seus rivais, merecendo com toda a certeza o título de campeão da Copa do Rei. A chegada de Carlos Bianchi e seu entendimento com Alfio Basile mudaram o ambiente e tiraram de cada jogador o que ele podia render, mostrando que a equipe pode alçar voos maiores na FIFUBO.

Talvez o maior exemplo desta mudança argentina seja Di Maria. Com 4 gols, ele terminou a competição como artilheiro isolado e, também, foi eleito o melhor jogador. Ao repórter Leo Farinela, Di Maria falou:

"A chegada de Bianchi foi crucial para a nossa mudança de atitude. Nos treinamentos, já dá para perceber o estilo diferente dele. Ele soube extrair de cada um de nós nossas melhores qualidades e o resultado está aí. Campeões!"

O treinador também falou sobre a conquista, política e o que fez para levar a eliminada na primeira fase da Copa do Mundo para o título da Copa do Rei:

"A primeira coisa que fiz foi reunir os jogadores e falar que o que acontece aqui no campo transcende qualquer disputa política. Política é lá nos bastidores da AFA; aqui, nós representamos os torcedores de um país apaixonado pelo futebol e pela sua seleção. Nos treinos, localizei os pontos fortes e fracos de cada um, preparei um treinamento em conjunto com o Basile e pudemos explorar o potencial de cada jogador. Os resultados apareceram e, agora, é só comemorar."

Com isso, a Argentina conquista seu primeiro título na FIFUBO. Não é propriamente um troféu, já que a Copa do Rei dá ao seu vencedor a bandeira da Liga dos Reinos e o direito de portá-la até o próximo campeonato, quando a solenidade de abertura exige que o capitão do time campeão a entregue ao monarca supremo. Mesmo assim, é um prestígio enorme vencer este torneio e a Argentina coloca seu nome na História como a primeira campeã.
O monarca supremo da Liga dos Reinos entrega ao capitão da Argentina, Mascherano, a bandeira de campeão da Copa do Rei.

Os alemães saem derrotados, mas provaram que têm potencial para ir muito além. Com um pouco de foco na parte disciplinar, talvez não tenham que se esforçar tanto para mostrarem um futebol de respeito. Do outro lado, os argentinos são uma realidade e têm como missão, agora, não deixarem o sucesso lhes subir à cabeça.
Jogadores e comissão técnica da Argentina posam para a foto oficial com a bandeira de campeões da Copa do Rei 2018.

NOTAS RÁPIDAS

  • A FIFUBO dá uma pausa em competições, devendo voltar no próximo mês, com o Troféu do Presidente, outra competição de seleções, mas republicana. Mesmo assim, continuará enviando equipes para jogos na FMN.
  • O final de semana foi bem corrido e, por isso, não teve a postagem Arte e Botões. Mas a arte deste final de semana não ficará esquecida. Nesta segunda ou na terça, a respectiva arte será postada.
Parabéns à Argentina, campeã da Copa do Rei 2018!