domingo, 12 de abril de 2026

Giro D'Italia 2026 - 12/04/2026

A espera terminou! Os pés foram para o pedal e deram o primeiro impulso para as Grandes Voltas do Ciclismo Mundial. Você confere o resumo do Giro D'Italia 2026, etapa a etapa, nesta postagem!

É a versão 2026 do Giro D'Italia, amor infinito!

1ª Etapa
O Giro D’Italia 2026 começou no dia 01/04, em um dia parcialmente nublado e com temperatura agradável, com um contra relógio de bom nível, que terminou com vitória do inglês Bradley Wiggins (Sky). Em segundo ficou o espanhol Alejandro Valverde (Caja Rural), também segundo nesta etapa, em 2022. Em terceiro ficou o norueguês Thor Hushovd (Credite Agricole).

A vitória na corrida de abertura fez Bradley Wiggins ser o primeiro a vestir a maglia rosa.

O pódio da primeira etapa. No alto, com o troféu de vencedor, o inglês Bradley Wiggins (Sky). Abaixo dele, o espanhol Alejandro Valverde (Caja Rural), segundo colocado. Abaixo do troféu, o norueguês Thor Hushovd (Credite Agricole), terceiro colocado.

2ª Etapa

No dia 02, os ciclistas largavam para a primeira corrida de linha do Giro 2026. Totalmente plana, paraíso para os sprinters, e já com a primeira meta volante desta edição, na metade da prova, em um dia de céu azul e temperatura baixa.

Foi uma prova excelente, do ponto de vista técnico. Uma corrida típica dos sprinters se desenhou desde o início, sem fuga, com o pelotão andando junto e preparando uma emocionante chegada, onde os velocistas se alinharam e protagonizaram um duelo eletrizante.

Ao final, a vitória ficou com o brasileiro Murilo Fischer (Française De Jeux). Em segundo chegou o alemão André Greipel (Lotto Belisol), vencedor desta etapa no ano passado e segundo em 2023. Em terceiro, de novo, chegou o norueguês Thor Hushovd (Credite Agricole), em uma corrida de altíssimo nível e que terminou sem abandonos.

Murilo Fischer não venceu só a corrida, mas a meta volante também. Assim, sai da etapa com a maglia rosa.

O pódio da segunda etapa. No alto, com o troféu de vencedor, o brasileiro Murilo Fischer (FDJ). Abaixo dele, o alemão André Greipel (Lotto Belisol), segundo colocado. Abaixo do troféu, o norueguês Thor Hushovd (Credite Agricole), terceiro colocado.

3
ª Etapa

No dia 03, a terceira etapa ainda era totalmente plana e com duas metas volante, mais um paraíso para os sprinters.

Disputada em um dia nublado, a corrida ficou um pouco prejudicada por conta das inúmeras quedas vistas ao longo de seu traçado, mas manteve um ritmo alto e foi a primeira a ter uma estratégia de equipe perfeita, que levantou o público.

O pelotão se manteve junto até a última meta volante, quando Danilo Di Luca atacou e Fabio Aru manteve uma velocidade constante para segurar os demais. A dupla da Liquigás continuou assim até a linha de chegada para fazer os dois primeiros lugares, dando à Itália sua primeira vitória e a primeira dobradinha desta edição do Giro. Na terceira  posição chegou o francês Sylvain Chavanel (Quickstep).

Os esforços de Fabio Aru foram maiores ainda se considerarmos que a chegada foi em um sprint com um pelotão de 30 dos 40 ciclistas presentes na etapa. Em uma dessas disputas, Luciano Pagliarini foi tocado por Mathieu Van Der Poel (que chegou em quarto) e Romain Bardet (que terminou em sétimo). O TCB decidiu punir os dois com a perda de 6 pontos de esforço nesta corrida e na próxima. Com isso, Mathieu Van Der Poel caiu para a oitava posição e Romain Bardet, para a décima terceira. Muitas emoções ao longo de toda a corrida, que terminou sem abandonos.

Um dos maiores vencedores da história da LMC, Danilo Di Luca chegou à vitória de número 36 e, somada à vitória na última meta volante, ele assume a maglia rosa junto com Murilo Fischer.

O pódio da terceira etapa. No alto, com o troféu de vencedor, Danilo Di Luca. Abaixo dele, completando a dobradinha italiana e da Liquigás, Fabio Aru, segundo colocado. Abaixo do troféu, o francês Sylvain Chavanel (Quickstep), terceiro colocado.

4ª Etapa

No dia 04, os pontos começavam a surgir em profusão, assim  como a primeira subida do Giro, com uma leve inclinação de 5% na metade da prova, que foi disputada em um dia de sol e calor.

A etapa que marca um terço da competição teve de tudo, estratégia, superação, decepção, o primeiro abandono e também a primeira crise, mas não faltou emoção. Foi uma corrida para a fuga, que saiu após a metade e obrigou o pelotão a se esticar para tentar diminuir as distâncias. E foi aí que surgiu a primeira crise entre equipes, pois Domenico Pozzovivo era um dos escapados, junto com Tom Boonen, Frank Schleck e Chris Froome, com uma montanha por subir antes do terreno ficar plano de novo até a linha de chegada. Pozzovivo é montanhista, corre em casa e tinha grandes chances de deixar os companheiros de fuga para trás no terreno inclinado, mas recebeu ordens da AG2R para diminuir e voltar ao pelotão, pois Romain Bardet, o líder da equipe, vinha tentando ir para a frente. Decepcionado, Pozzovivo teve que acatar as ordens de seu time e voltou ao pelotão. Bardet jamais acelerou e terminou na nona posição, com o italiano logo atrás, em décimo primeiro.

Os outros três continuaram acelerando e foram embora. No final, valeu a característica do sprinter e o belga Tom Boonen (Quickstep) venceu a quarta etapa do Giro D’Italia pelo segundo ano consecutivo. A emoção ficou por conta do restante do pódio, pois o holandês Mathieu Van Der Poel (Corendon Circus) acelerou muito após a montanha, mirou os escapados e, com um belíssimo sprint, superou todos para ficar com a segunda posição. O luxemburguês Frank Schleck (Saxo Bank), segundo em 2024, chegou em terceiro e fechou um pódio Benelux.

Na disputa por posições na zona de pontuação, Fabian Cancellara e Luciano Pagliarini acabaram se tocando e o TCB foi acionado, decidindo não punir Cancellara. Mas a segunda corrida seguida com Pagliarini reclamando no Tribunal fez com que os presentes vaiassem o brasileiro da Saunier Duval. Uma animosidade começa a surgir justo na competição que ele foi o primeiro ganhador.

A maior decepção do Giro até aqui ficou por conta de Filippo Pozzato. Único italiano campeão do Giro (em 2022), o ciclista da Acqua & Sapone sentiu uma lesão e se tornou o primeiro a abandonar a edição deste ano. A vitória na etapa e em duas metas volante foi o suficiente para Tom Boonen vestir a maglia rosa.

O pódio da quarta etapa. Pelo segundo ano consecutivo, o belga Tom Boonen (Quickstep) ocupa o lugar mais alto, com o scudetto de vencedor. Abaixo dele, o holandês Mathieu Van Der Poel (Corendon Circus), segundo colocado. Abaixo do troféu, o luxemburguês Frank Schleck (Saxo Bank), terceiro colocado.

5ª Etapa

No dia 05, domingo de Páscoa, as coisas começavam a inclinar, com duas colinas no meio de uma prova majoritariamente plana, sendo a primeira subida com 5% de inclinação e a segunda em 6%. Entre elas, farta distribuição de pontos.

Disputada em um dia de céu azul e temperatura em elevação, a corrida teve uma quebra enorme no pelotão logo de cara, fruto de uma meta volante precoce. A partir dali, o pelotão não conseguiu se organizar, quebrado em vários pequenos grupos que tentaram se aproximar a corrida inteira e, quando parecia que ia reagrupar, uma meta volante próxima à linha de chegada ocasionou um boliche enorme, que fez com que vários ciclistas fossem ao chão e diminuiu o ritmo para a chegada em sprint.

No final, o francês Sylvain Chavanel (Quickstep) conseguiu se desvencilhar da confusão e conquistou a vitória. Em segundo chegou o espanhol Alejandro Valverde (Caja Rural), terceiro em 2024. Em terceiro, o vencedor desta etapa em 2020, o inglês Chris Froome (Sky).

O TCB foi acionado duas vezes. Pela terceira corrida consecutiva, Luciano Pagliarini reclamou de manobra ilegal de um rival, mas o Tribunal não levou adiante. A segunda denúncia foi feita por Peter Sagan, que tinha chances no sprint, mas foi tocado por Lance Armstrong e Domenico Pozzovivo e terminou na décima segunda (ou terceira) posição. O Tribunal analisou as imagens e decidiu punir Armstrong e Pozzovivo com a perda de 5 pontos na competição.

Após as críticas na etapa anterior e a mais uma péssima corrida de Romain Bardet, Domenico Pozzovivo foi ao ataque, andou na frente, passou em primeiro em meta volante, terminou em quarto lugar e, ainda assim, perdeu pontos. Com 5 etapas e 3 decisões do TCB, essa edição do Giro está começando a ficar marcada por ser mais voltada ao Tribunal do que às corridas.

Outro que surge como grande vilão da competição até aqui é Luciano Pagliarini. Esta foi a terceira etapa consecutiva que ele reclamou no Tribunal, tentando claramente tirar de si a culpa por mais uma corrida ruim, em que terminou em décimo nono lugar.

O segundo lugar na corrida e em duas metas volante deu a Alejandro Valverde a maglia rosa ao final de mais uma etapa bem conturbada.

O pódio da quinta etapa. No alto, o francês Sylvain Chavanel (Quickstep), com o troféu de vencedor. Abaixo dele, o espanhol Alejandro Valverde (Caja Rural), segundo colocado. Abaixo do troféu, o inglês Chris Froome (Sky), terceiro colocado.

6ª Etapa

No dia 06, chegava a última prova antes de começarem as etapas de montanha, um prenúncio do que os ciclistas veriam a seguir. Com duas metas volante logo no início, uma delas era em uma subida, com 5% de inclinação. No final, uma subida com 6% de inclinação após a última meta volante e antes da chegada em sprint trazia uma dificuldade extra.

A disputa se deu em mais um dia de céu azul e calor e foi outra etapa para a fuga. O holandês Tom Dumoulin saiu cedo e, com um ritmo muito alto, não deu chances aos rivais, se distanciando a cada volta do pedal até vencer com uma vantagem enorme para os demais onde fora segundo em 2022. Um grupo conseguiu se destacar do pelotão não última montanha e foi se ajudando até a linha de chegada. A AG2R finalmente fez um trabalho de equipe, com Domenico Pozzovivo lançando Romain Bardet e conseguindo fazer o francês chegar em segundo. Em terceiro chegou o brasileiro Rafael Andriato (Imperatriz), vencedor em 2023. A prova teve bom nível e terminou sem abandonos nem intervenção do TCB.

O brilho na etapa, somado às vitórias nas metas volante, resultou na maglia rosa indo para Tom Dumoulin.

O pódio da sexta etapa. No alto, com o troféu de vencedor, o holandês Tom Dumoulin (Sunweb). Abaixo dele, o francês Romain Bardet (AG2R), segundo colocado. Abaixo do troféu, o brasileiro Rafael Andriato (Imperatriz), terceiro colocado.

7ª Etapa

No dia 07, começaram as montanhas, cada etapa com uma passagem especial, para iniciar a segunda metade do Giro. Na primeira etapa de montanha, os ciclistas começavam no plano, pegando logo a seguir uma subida com 5% de inclinação e, logo após, outra passagem plana. A partir dali, as coisas complicavam, com subidas em 6%, 7% e chegada no Passo di Gavia, com 9%.

Disputada em um dia de céu azul e muito calor, a corrida teve momentos típicos de montanha, com o pelotão se dividindo em grupos que atacavam e contra atacavam, até a última subida antes do Passo di Gavia, quando Greg Van Avermaet resolveu tentar a sorte em um ataque suicida. O pelotão se reagrupou para tentar lhe dar caça, imprimiu um ritmo forte, mas Van Avermaet percebeu e também manteve o seu ritmo. O belga da CCC conseguiu a vitória e, no restante do pódio, tivemos uma dobradinha holandesa, com Mathieu Van Der Poel (Corendon Circus) em segundo e Bauke Mollema (Rabobank) em terceiro, em mais um pódio Benelux.

A prova teve um nível técnico muito bom, mas é a chegada das montanhas e muitos sofrem aqui. Peter Sagan foi um deles, não aguentou o ritmo e acabou abandonando. Greg Van Avermaet brilhou na etapa, ganhando a corrida, duas metas volante e sendo segundo em outra e, por esse motivo, é o primeiro a vestir a maglia ciclamino. Mas não foi o suficiente para vestir a maglia rosa, pois Tom Dumoulin tinha boa vantagem e, mesmo chegando em décimo terceiro, conseguiu mantê-la.

O pódio da sétima etapa. No alto, com o troféu de vencedor, o belga Greg Van Avermaet (CCC). Abaixo dele, Mathieu Van Der Poel (Corendon Circus), o segundo colocado. Abaixo do troféu e completando a dobradinha holandesa no pódio, Bauke Mollema (Rabobank), terceiro colocado.

8ª Etapa

No dia 08, mais uma etapa de montanha, um pouco mais complicada. Os ciclistas já começaram com uma subida de 6% e só tiveram um trecho plano, no meio da prova. Dali, as coisas pioravam até a chegada, em 9%, no Passo del Mortirolo.

A disputa se deu em um dia chuvoso e de temperatura amena, clima de montanha. Murilo Fischer saiu em fuga desde o início e imprimiu um ritmo muito forte. O pelotão reagiu e também acelerou, tentando encurtar a distância. Na última subida antes do Mortirolo, as pernas de sprinter não aguentaram e Fischer ganhou a companhia de Primoz Roglic, com um grupo perseguidor também chegando e prometendo um final emocionante.

Fischer e Roglic travaram um duelo épico no Mortirolo, para ver quem ficaria com a vitória e esta acabou sorrindo ao esloveno da Imperatriz, vencedor em 2024, com o brasileiro da Française De Jeux em segundo. Outro que deu um ataque incrível na última subida e conseguiu o terceiro lugar foi o belga Greg Van Avermaet (CCC).

A corrida teve um excelente nível técnico e muita emoção, mas mais um abandono. Fabian Cancellara não aguentou o ritmo das montanhas e deixou a competição. Murilo Fischer pode ter perdido na linha de chegada, mas foi o grande vencedor ao final, pois as vitórias nas metas volante e o segundo lugar no final lhe devolveram a maglia rosa. E o ataque final de Greg Van Avermaet também rendeu frutos, pois serviram para mantê-lo com a maglia ciclamino.

O pódio da oitava etapa. No alto, com o troféu de vencedor, o esloveno Primoz Roglic (Imperatriz). Abaixo dele, o brasileiro Murilo Fischer (FDJ), segundo colocado. Abaixo do troféu, o belga Greg Van Avermaet (CCC), terceiro colocado.

9ª Etapa

No dia 09, a nona etapa chegou com uma dificuldade bem maior para os ciclistas, que começaram com uma subida de 6%, passaram para 8% e, depois, tiveram um momento de refresco com o único trecho plano, no meio da prova. Depois disso, as subidas eram bem pesadas, começando em 9%, passando a 10% e terminando em duríssimos 12%, no Courmayeur.

Disputada em um dia frio, com nevoeiro e chuva em alguns trechos, a corrida foi prejudicada por uma queda massiva logo na largada, que deixou vários ciclistas com dores e dificultou o andamento. Mas um ciclista conseguiu se destacar, depois de ter sido segundo aqui em 2023. Foi o holandês Mathieu Van Der Poel (Corendon Circus), que desde cedo pulou na fuga e, conforme os adversários dropavam, ele atacava de novo até vencer com uma sobra absurda.

Um grupo com 6 ciclistas fez a sua disputa particular e, empurrado pelo público, o italiano Domenico Pozzovivo (AG2R) enfim conseguiu o seu pódio, com o segundo lugar. Em terceiro chegou o esloveno Primoz Roglic (Imperatriz).

Esta foi a pior etapa do Giro 2026, com muitas quedas, ritmo diminuto e abandonos decepcionantes, com a retirada da bicicleta rosa. O então campeão, André Greipel, sequer largou e foi o primeiro na etapa a deixar a competição. Remco Evenepoel esteve envolvido no acidente na largada, tentou voltar, pediu atendimento médico algumas vezes e também abandonou a competição.

A primeira vitória na temporada deu a Mathieu Van Der Poel a maglia rosa e os pontos nas metas volante o fizeram empatar com Greg Van Avermaet com a maglia ciclamino.

O pódio da nona etapa. No alto, com o troféu de vencedor, o holandês Mathieu Van Der Poel (Corendon Circus). Abaixo dele, o italiano Domenico Pozzovivo (AG2R), segundo colocado. Abaixo do troféu, o esloveno Primoz Roglic (Imperatriz), terceiro colocado.

10ª Etapa

No dia 10, tivemos a Etapa Rainha deste Giro, já começando em 7%. Depois, passava para 8%, tinha um trecho plano e, dali, aumentava para 10%, 11% e terminava em 12%, no Pinerolo.

Disputada em um dia parcialmente nublado e de temperatura amena, a prova viu o pelotão correr junto até a metade. Quando chegaram as piores subidas, virou uma típica prova de montanha, com ataques e pequenos grupos se formando.

Vincenzo Nibali e Mark Cavendish partiram a solo e começaram a abrir vantagem pros demais, mas é uma etapa de montanha e Cavendish não é bom nesse terreno. Com isso, Nibali foi a solo, enquanto o inglês ficou para trás até ser apanhado pelo grupo perseguidor.

No final, as pernas pesaram e o Tubarão de Messina foi pego pelo grupo que vinha atrás. Sem forças para reagir, viu todos passarem e terminou na quinta posição, em uma chegada emocionante que teve o vencedor improvável. Único sprinter num grupo onde todos tinham habilidades de escalada, o belga Tom Boonen (Quickstep) conseguiu superar seus rivais com muita garra e venceu a corrida, a mesma Etapa Rainha em que foi terceiro em 2019.

Em segundo chegou o luxemburguês Andy Schleck (Saxo Bank), terceiro em 2021. Os italianos ficaram decepcionados com o “estouro de motor” de Nibali, mas puderam comemorar mais um pódio com Danilo Di Luca (Liquigás), terceiro aqui como foi em 2024.

O ritmo foi diminuto, mas pelo menos não tivemos abandonos. Os pontos foram bem distribuídos, mas não mudaram a situação. Assim, Mathieu Van Der Poel se manteve com a maglia rosa e dividindo a ciclamino com Greg Van Avermaet.

O pódio da décima etapa. No alto, com o troféu de vencedor, o belga Tom Boonen (Quickstep). Abaixo dele, o luxemburguês Andy Schleck (Saxo Bank), segundo colocado. Abaixo do troféu, o italiano Danilo Di Luca (Liquigás), terceiro colocado.

11ª Etapa

No dia 11, o Giro voltava ao plano. Superadas as montanhas, a penúltima etapa teria somente uma inclinação leve, de 5%, na metade da prova. Esta montanha separava as duas últimas metas volantes do Giro D’Italia 2024. Após isso, uma chegada em sprint.

A disputa se deu em um dia muito agradável, de céu com algumas nuvens e temperatura amena, e foi mais uma prejudicada por uma queda massiva logo na largada, com vários ciclistas indo ao chão e, a rigor, não teve nada demais a não ser mais uma vitória da fuga. Romain Bardet e Michele Scarponi saíram a solo, o pelotão não lhes deu caça e a disputa ficou entre os dois.

Ao final, mesmo com a torcida local empurrando, a vitória coube ao francês da AG2R, repetindo o triunfo de 2023 (também foi terceiro em 2020), com o italiano da Lampre na segunda posição. Em terceiro, a alguma distância, chegou o espanhol Alejandro Valverde.

Apesar do boliche na largada e da menor média de velocidade desta edição do Giro, todos os ciclistas completaram a corrida. Mathieu Van Der Poel chegou em sexto e isso foi suficiente para mantê-lo com a maglia rosa. Ele continua dividindo a maglia ciclamino com Greg Van Avermaet.

O pódio da décima primeira etapa. No alto, com o troféu de vencedor, o francês Romain Bardet (AG2R). Abaixo dele, o italiano Michele Scarponi (Lampre), segundo colocado. Abaixo do troféu, o espanhol Alejandro Valverde (Caja Rural), terceiro colocado.

12ª Etapa

Domingo, 12 de abril de 2026, os 34 ciclistas chegavam a Roma para a última etapa do Giro D’Italia 2026, com uma etapa totalmente plana e com 8 deles ainda na disputa pelo título. Antes de qualquer coisa, Alejandro Valverde, Greg Van Avermaet, Tom Dumoulin e Vincenzo Nibali precisavam vencer, Romain Bardet precisava de um segundo lugar, Murilo Fischer precisava ir ao pódio e Tom Boonen só precisava estar entre os 6 primeiros. Marcando tudo isso, Mathieu Van Der Poel faria de tudo para manter a sua maglia rosa.

Os ciclistas percorrem as ruas da Itália pela última vez na edição 2026 do Giro!

A corrida se deu em um lindo dia de céu azul e temperatura agradável, mas seguiu a tradição da edição deste ano, com uma queda massiva logo no início que prejudicou o ritmo da prova. Ali, na largada, Mark Cavendish já desistiu de continuar e deixou o Giro 2026 com apenas 33 corredores, mas outras quedas, atendimentos e problemas mecânicos foram vistos ao longo de toda a etapa.

Com isso, a fuga prosperou mais uma vez. Chris Froome e Oscar Pereiro Sio saíram a solo e abriram vantagem para os demais na metade da corrida. Próximo do final, no entanto, o espanhol da Caisse D’Epargne não conseguiu acompanhar o ritmo do inglês da Sky e Froome foi a solo para vencer a corrida. Além de Oscar Pereiro Sio, que tentava mantê-lo a uma distância alcançável, mais atrás vinha um outro grupo perseguidor, com Sylvain Chavanel, Fabio Aru e Alejandro Valverde, que precisava pegar os escapados para vencer e ficar com o título.

O que aconteceu na linha de chegada, no entanto, foi o retrato de um Giro D’Italia que prometeu muito e entregou quase nada. Chris Froome só precisava administrar para vencer, tamanha a vantagem que tinha, mas não teve pernas na hora decisiva e foi alcançado. A vitória coube ao espanhol Oscar Pereiro Sio (Caisse D’Epargne), com o francês Sylvain Chavanel (Quickstep) em segundo e o inglês Chris Froome (Sky) em terceiro, mas a vergonha não parou por aí, pois o TCB teve que ser acionado na última etapa para decidir se o toque de Fabio Aru em Greg Van Avermaet era passível de punição, mas o Tribunal decidiu não punir o ciclista italiano e, assim, as posições foram mantidas.

O pódio da  décima segunda etapa. No alto, com o troféu de vencedor, o espanhol Oscar Pereiro Sio (Caisse D'Epargne). Abaixo dele, o francês Sylvain Chavanel (Quickstep), segundo colocado. Abaixo do troféu, o inglês Chris Froome (Sky), terceiro colocado.

Mathieu Van Der Poel deu uma aula de como perder uma Grande Volta, mas a incompetência de seus adversários foi maior. Com isso, mesmo chegando em vigésimo lugar, em um dos vários grupetos que se formaram para completar um passeio ciclístico, ele finalmente conseguiu conquistar uma Grande Volta.

MATHIEU VAN DER POEL CAMPEÃO DO GIRO D’ITALIA 2026

Não foi um título injusto, muito pelo contrário. Mesmo sendo punido na terceira etapa com a perda de 6 pontos de esforço, o que o tirou do quarto lugar e o levou para fora do G6, o holandês da Corendon Circus soube dar a volta por cima, pontuando em corridas importantes, vencendo uma etapa, chegando em segundo em outras, vestindo a magila rosa a partir da nona etapa, para não largar mais.

Como prova de que fez um grande Giro D’Italia, Mathieu Van Der Poel também brilhou no terreno inclinado e, junto com Greg Van Avermaet, conquistou o prêmio de montanha. O belga da CCC conquistou o seu terceiro título no ano, o segundo de montanha, o primeiro em uma Grande Volta e o sétimo na LMC.

O holandês Mathieu Van Der Poel (Corendon Circus) e o belga Greg Van Avermaet (CCC) dividem o prêmio de montanha do Giro D'Italia 2026.

Já Van Der Poel conquistou os seus dois primeiros títulos no ano, somando três na LMC. O Giro D’Italia é o primeiro do holandês da Corendon Circus em uma Grande Volta, colocando de vez o seu nome na história.

Tom Boonen foi outro que brilhou. O belga da Quickstep teve duas etapas brilhantes, a quarta e a décima, onde venceu e pontuou bem, vestindo a maglia rosa na quarta etapa . Ao final, saiu com um incrível bi-vice campeonato, já que foi segundo também em 2025.

O terceiro lugar ficou com Romain Bardet e Murilo Fischer. Mesmo sendo punido com a perda de 6 pontos de esforço na terceira etapa, Bardet contou com o jogo de equipe da AG2R para subir ao pódio junto do brasileiro da Française De Jeux, que vence uma etapa e vestiu a maglia rosa nas etapas 2 e 3. Murilo Fischer volta ao pódio após o terceiro lugar em 2024.

“É uma sensação incrível. Diziam que eu não tinha cacife para conquistar voltas, ainda mais uma das três maiores, porque eu era ciclista de clássicas. Acho que, agora, eu sou ciclista de voltas, não é?” - Mathieu Van Der Poel, após levantar o Trofeo Senza Fine.
O pódio do Giro D'Italia 2026. No alto, com o troféu Senza Fine de campeão, o holandês Mathieu Van Der Poel (Corendon Circus). Abaixo dele, com o troféu de vice-campeão, o belga Tom Boonen (Quickstep). Abaixo do Senza Fine, dividindo o troféu de terceiro lugar, o francês Romain Bardet (AG2R) e o brasileiro Murilo Fischer (Française De Jeux).

NOTAS RÁPIDAS
  • Pode-se dizer tranquilamente que esta foi a pior das 7 edições do Giro D’Italia já realizadas pela LMC. Normalmente, o Giro termina com um alvo enorme nas costas, pois é uma competição de altíssimo nível e emoção e, por ser a primeira, traz a obrigação do Tour de France e da Vuelta a España de igualarem ou superarem o seu nível. Esse ano não está nada difícil. Basta ser uma competição ruim e pronto, já superou o péssimo Giro D’Italia 2026;
  • A edição deste ano ficou marcada por várias coisas ruins, mas recebeu o apelido informal de “Giro do Tribunal”, pelas inúmeras vezes que o TCB foi acionado para decidir questões na linha de chegada. Inclusive, foi a primeira vez na história do Giro na LMC que um campeão (Luciano Pagliarini) foi vaiado pelo público, pois foi um dos que mais reclamaram de condutas dos demais;
  • Mas não foi só por conta do tapetão que a competição foi decepcionante. O nível das corridas começou bom, mas foi caindo ao longo das etapas e a última é prova disso. A média dos pontos de esforço foi de 2173. É lógico que quanto menos ciclistas competindo, menor é o número nos pontos de esforço, mas é só ver o início do Giro, quando tivemos a máxima (2622) e o final, quando tivemos a mínima (2095) na penúltima etapa para ver que os ciclistas foram diminuindo o ritmo;
  • Esta edição do Giro ficou marcada pelo tapetão, mas também pode ser chamada de “Giro Benelux”, com os países do bloco conseguindo 11 pódios, com 5 vitórias, 2 tripletas e 1 dobradinha;
  • Mas também serviu para mostrar que o Giro D'Italia é a competição dos sprinters. O título de Mathieu Van Der Poel foi o quarto seguido de um ciclista com essa especialidade, depois de André Greipel em 2025, Oscar Freire em 2024 e Rafael Andriato em 2023, fora o de Marcel Kittel em 2021;
  • No total, 11 ciclistas diferentes venceram, sendo Tom Boonen o que mais chegou em primeiro, aliás, o único que triunfou duas vezes;
  • 22 ciclistas diferentes foram ao pódio. Sylvain Chavanel, Mathieu Van Der Poel e Alejandro Valverde foram as presenças mais constantes, 3 vezes cada;
  • Entre as equipes, 9 conseguiram vencer e 16 foram ao pódio, sendo a Quickstep a maior vencedora, com 3 vitórias, e a que conquistou mais pódios, 5;
  • Entre as nações, 8 viram sua bandeira tremular no lugar mais alto do pódio, sendo a Bélgica a mais vitoriosa, 3 vezes. 10 países foram ao pódio e a Itália, com 6, foi a que mais apareceu;
  • A Itália conseguiu uma dobradinha na terceira etapa, com Danilo Di Luca em primeiro e Fabio Aru em segundo. Na sétima etapa, o segundo lugar de Mathieu Van Der Poel e o terceiro de Bauke Mollema deram a dobradinha para a Holanda. Estas foram as únicas dobradinhas nacionais do Giro D’Italia 2026;
  • Com o maior número de pódios, uma dobradinha, o quarto lugar final de Vincenzo Nibali e o sexto de Danilo Di Luca, a Itália conseguiu uma boa competição em casa, mas também uma decepção enorme ao ver seu único ciclista campeão do Giro, Filippo Pozzato (em 2022), abandonar na quarta etapa;
  • Por falar em abandonos, a edição 2026 teve um recorde infeliz, com 7 ciclistas deixando a competição, um número maior do que 2025 (5) e muito maior que 2024 (2), mas a coisa fica mais dolorosa quando vemos que campeões como Thibaut Pinot (2021), Filippo Pozzato (2022) e André Greipel (2025) estão entre eles;
  • Infelizmente, o TCB foi acionado várias vezes. Mas felizmente as punições não foram polêmicas. O Tribunal tentou se descolar da péssima imagem do Giro 2026, mesmo essa edição sendo conhecida como “O Giro do Tribunal”;
  • Sempre batendo na tecla de que esta foi a pior edição de um Giro D’Italia em 7 anos de LMC, fica difícil listar as decepções, pois foram várias. Mas merecem destaque (negativo) os três campeões que abandonaram (Pinot, Greipel e Pozzato), além de Luciano Pagliarini, primeiro campeão do Giro da LMC (2019), que acionou o TCB várias vezes, acabou vaiado pelo público quando tinha seu nome acionado e terminou a competição com apenas 1 ponto. Poderíamos destacar, também, a AG2R, pelo jogo de equipe que tirou chances de Domenico Pozzovivo, mas a jogada acabou dando certo e Romain Bardet, seu líder, acabou no pódio;
  • Mas também tivemos destaques e o campeão Mathieu Van Der Poel, tanto no geral quanto na montanha, foi o maior de todos, principalmente por chegar à nona etapa sem ter liderado, vestir a maglia rosa e não largar mais, mesmo punido pelo TCB no início da competição. O outro punido, Romain Bardet, se envolveu na polêmica do jogo da AG2R, ainda mais porque o prejudicado foi um ciclista local (Domenico Pozzovivo), mas Bardet acabou indo ao pódio. O vice-campeonato de Tom Boonen também merece destaque, pois o ciclista belga fica em segundo pelo segundo ano consecutivo e mostra que pode brigar pelo título. Merecem destaque, ainda, Greg Van Avermaet, Murilo Fischer, Primoz Roglic, Tom Dumoulin e Alejandro Valverde, pelo que fizeram ao longo da competição;
  • Após o Giro D’Italia, com o título de montanha e o quarto lugar na classificação final, Greg Van Avermaet se manteve na liderança do ranking, com 86 pontos.
A volta dos campeões. Na frente, com o troféu Senza Fine, o campeão Mathieu Van Der Poel. Atrás dele, com o troféu de vice-campeão, Tom Boonen. Mais atrás, com o troféu de terceiro colocado, Romain Bardet e Murilo Fischer. Atrás de Boonen, com o troféu de campeão de montanha, Greg Van Avermaet. No final, com o troféu de vencedor da última etapa, Oscar Pereiro Sio.

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